As pesquisas eleitorais e seus erros.

A ciência política não é exata. Todos podem errar.

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Por Edir Veiga 04 de maio, 2015 - 10h35

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Barata condenado por calúnia contra Edir Veiga

Calúnias, injúria e difamação foram punidas

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Por Edir Veiga 29 de abril, 2015 - 19h21

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O TEMPO DE ZENALDO E PIONEIRO SE ESVAI

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Por Edir Veiga 22 de abril, 2015 - 06h09

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As pesquisas eleitorais e seus erros.

A ciência política não é exata. Todos podem errar.

em por Edir Veiga 04 de maio, 2015 - 10h35

De acordo com metodologia estatística reconhecida internacionalmente quando uma pesquisa quantitativa é feita obedecendo todos os pressupostos teóricos, a chance de que a amostragem represente fielmente o universo pesquisado, dentro da margem de erro prevista é de  95%. Ou seja, se esta pesquisa for repetida cem vezes ela repetirá os mesmos resultados em 95 vezes, porém, sempre haverá erros em 5%, ou em 5 vezes, ela alcançará resultados fora da margem de erro.

Normalmente uma pesquisa bem executada percorre as seguintes fases:

1-É determinado o objetivo da pesquisa, por exemplo verificar a intenção de votos e rejeição para uma eleição, digamos, municipal.

2-O pesquisador elabora um questionário que busque captar as intenções dos entrevistados, sem tentar induzir respostas.

3-Então será feito um pré-teste, ou seja, o questionário é submetido a 5% do entrevistado a ser pesquisado para verificar se as perguntas são claramente entendidas pelo entrevistado.

4-Faz-se as correções devidas no questionário, se for o caso.

5-Estabelece-se a amostragem com base na margem de erro desejado, normalmente variando de 2 a 5%, dependendo dos objetivos da pesquisa. Em período de vésperas de eleições, a margem de erro deve ser de 2%. Mas torna a pesquisa mais cara.

6-A partir daí passa-se à fase de laboratório propriamente dita. Constrói-se os discos indutores de respostas estimuladas, tanto para a intenção de voto como para obter as rejeições dos candidatos.

7-Estabelece-se a amostragem, aplica-se a estratificação dos eleitores segundo o IBGE e planeja a coleta dos dados de campos, obedecendo rígida distribuição demográfica, segundo o princípio de que quanto mais for aleatória a coleta de dados, ou seja, mais espalhada possível, mais chance tem a amostragem de representar o conjunto das opiniões do universo a ser pesquisado.

8-Com base no questionário, constrói-se a máscara de entrada no SPSS. Trata-se de uma codificação computacional que fará com que o programa de computador transforme as respostas em numerais com o objetivo de quantificar percentualmente as respostas e realizar os cruzamentos entre variáveis.

9-Treina-se o pessoal encarregado de coletar os dados de campo.

10-Após a coleta, uma equipe de checagem entrará em ação, ou seja, 20% dos entrevistados deverão ser contatados, com  o objetivo de  verificar a veracidade das informações, para escapar de eventuais fraudes.

11-Executado a fase de checagem entra em ação uma nova equipe. Agora todas as informações serão cuidadosamente digitados no SPSS.

12-Um checador verificará se a digitação coincide com os dados de campo. Qualquer erro na digitação pode comprometer os resultados da pesquisa.

13-Executado e checado a digitação, então os dados  são tabulados e cruzados entre sí, sendo  feito as tabelas e gráficos necessários para a exposição dos dados de pesquisa.

14-Agora entra em campo o responsável pelo parecer   técnico sobre os resultados da pesquisa a ser apresentado ao cliente. Normalmente este pessoal é o cientista político, que é capaz de unir teoria e empiria na exposição dos dados da pesquisa.

Caso seja do interesse do cliente, este cientista poderá emitir um parecer sobre as estratégias a serem seguidas pelo cliente. Esta é a parte mais cara da pesquisa....o uso do cérebro estratégico do cientista. Lógico, aquele que tem Know how na área eleitoral.

 

Recentemente, nas eleições de 2014, meu instituto cometeu um erro na predição do segundo turno das eleições estaduais. Nosso instituto,  em 74 pesquisas anteriores, tinha acertado todos os resultados. No primeiro turno das eleições de 2014, foi o único instituto a acertar todos os números. Mas no segundo turno, erramos na predição por uma diferença de mais de 10%.

Do ponto de vista técnico os erros podem ocorrer, afinal, cada pesquisa só possui margem de segurança de 95%. Creio que, desafortunadamente caímos fora da margem de erro. Mas aconteceu pela primeira vez em nossa trajetória de pesquisas. Nesta mesma eleição de 2014, o IBOPE também caiu fora da margem de erro, em torno de 10% também, nas eleição para o governo da Bahia.

Nos meses de janeiro e fevereiro instalei uma auditoria interna para buscar saber onde erramos e porque erramos. Afinal, esta era uma auditoria fundamental que deveríamos fazer para minimizar erros posteriores. Com a coordenação e execução de pessoal da UFPA, na verdade oito pessoas que trabalharam nesta auditoria durante quase dois meses, cheguei as seguintes conclusões:

1-Após ligarmos para mil entrevistados conseguimos manter contato com apenas 500. Outros 500 não foram localizados.

2-Em Belém, notamos que houve um enviesamento da pesquisa, onde centrou-se a coleta de dados mais nas periferias dos bairros do que no centro. Ou seja, a amostragem perdeu aleatoriedade.

3-20% das pessoas contatadas afirmaram que apesar de terem declarados ao entrevistadores sua intenção de voto para o candidato do PMDB Helder, na hora do voto mudaram de opinião e votaram no candidato do PSDB, Jatene.

4- Outros 20% afirmaram que declararam ao entrevistador voto em Jatene, mas nos registros de pesquisas apareciam como intenção de voto em Helder.

 

Minhas observações.

É notório que houve falha tanto na coleta  como na checagem destes dados. Outra questão que parece óbvia é a volatilidade das opiniões dentre os eleitores de baixa renda. A literatura científica registra que em eleições ultra polarizada, como aquela de 2014 no Pará, o eleitor muitas vezes “engana” o entrevistador, devido à forte pressão em curso. Como também, o eleitor indeciso tende a votar naquele candidato que lhe parece mais confiável. Foi o caso dos indecisos no Pará, onde o candidato Jatene entre o primeiro e o segundo turno,  viu sua votação crescer neste segmento.

Dos 10% de eleitores que votaram Branco ou Nulo no primeiro turno, notadamente eleitores de esquerda, no segundo turno este eleitorado decidiu votar, e somente 5% vieram a manter o voto Branco e Nulo, e quem amealhou este 5% foi claramente o candidato Jatene, que cresceu em Belém e Ananindeua, enquanto Helder, manteve seus votos do primeiro turno nestas duas grandes cidades do Pará.

Outra questão que torna as pesquisas imponderáveis neste tipo de eleição ocorreu nas periferias de Belém e em muitos municípios do interior onde Jatene viu sua votação crescer. Esta questão diz respeito ao modelo de campanha aqui realizada. Uma campanha onde existia um governador candidato a reeleição. A patronagem campeou, como fartamente denunciada pela imprensa cuja denúncia chegou até o Ministério Público.

Ou seja, a distribuição do cheque moradia e do programa asfalto na cidade foram fundamentais dentre a maioria do eleitorado, notadamente o mais pobre. Os funcionários do governo  chegavam num bairro, tipo Guamá (Riacho Doce),  distribuíam de forma bem espalhada entre as casas, 50 cheques moradias. Nesta localidade, Cadastravam então mais 500 famílias, e diziam, já distribuímos 50, se Jatene ganhar, entregaremos mais 450 na comunidade.  As filas na COHAB dobravam as esquinas, a imprensa denunciava....mas ficou por isso mesmo.

 Em 24 hs aquela comunidade, que estava dividida entre amarelo e azul, amarelava totalmente. Esta cena se repetiu em todas as comunidades carentes da região metropolitana, e em algumas cidades do sul, oeste e nordeste do Pará. Esta mesma tática foi usada na distribuição do asfalto pré-eleitoral. Neste caso, não tem pesquisa séria que consiga auferir as intenções de votos.

Este mesmo fenômeno foi visível em cidades como Santarém, Marabá e até em Vizeu. O candidato governista, sem viajar pelo interior no segundo turno viu  sua votação ampliar em mais de 2% entre o primeiro e o segundo turno. E os autores das benessess foram deputados eleitos que foram deslocados para estas localidades armados de cheques moradias. Sem falarmos da gorda “boca de urna” governista em véspera das eleições.

Dito isto. Posso informar que meu estilo de administrar as pesquisas eleitorais mudou profundamente. Antes eu descentralizava toda a execução da pesquisa, afinal trabalhava com pessoas que eu concedia amplíssima confiança há muitos anos. Após os graves erros metodológicos detectados, mudei toda a equipe. Chamei novos auxiliares ligados à ciência política e passei a centralizar pessoalmente toda a ação metodológica nas pesquisas que vemos realizando. Notadamente pesquisas informais de checagem de intenções de votos.

Estas são algumas informações que eu devia aos eleitores do meu blog, aos amigos, alunos e colegas da ciência política.

 

 

 

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Barata condenado por calúnia contra Edir Veiga

Calúnias, injúria e difamação foram punidas

em por Edir Veiga 29 de abril, 2015 - 19h21

No dia 15 de abril de 2015 a juiza Bárbara Oliveira Moreira condenou o Sr. Augusto Barata, edir do blog do Barata a pena pecuniária por injúria, calúnia e difamação contra a minha pessoa.

Desde 2008 que este blogueiro vinha lançando pesados ataques pessoais e injuriosos ocontra minha minha honra.  Não se trata de desavença pessoal, pois nunca mantive qualquer tipo de relação pessoal ou política com este blogueiro.

Ou seja, a gênese de tais ataques por certo guarda motivos escusos. Agentes políticos insatisfeito com minha intervenção como analista e crítico de governos por certo agiram no silêncio covarde e secreto para me atingir e me descredibilizar.

De início resisti a processar este blogueiro, mas como os ataques persisitiram resolvi pedir reparos na justiça. Afinal este é o caminho para os amantes do Estado de Direito, da Democracia e da paz social.

a juiza bateu o martelo. A justiça foi feita.

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O TEMPO DE ZENALDO E PIONEIRO SE ESVAI

em por Edir Veiga 22 de abril, 2015 - 06h09

 

Prefeitos tradicionais são aqueles que medem seu desempenho a partir de obras físicas de grande visibilidade pública. Manoel Pioneiro tem nos asfaltos seus principal patrimônio eleitoral.  Zenaldo pretende ter nas obras do BRT e na retomada da macrodrenagem da Estrada Nova seus grande motes de campanha.

Os maiores inimigos desta estratégia política encontra-se nos tempos chuvosos. Normalmente somente entre os meses de julho e novembro é que a chuva mostra-se mais clementes com os políticos do concreto armado.  Parece que os resultados apresentados no campo do concreto armado não tem sido suficiente para alavancar a avaliação destes dois políticos.

Pesquisas informais vêm registrando a grande penetração de Edmilson e Eder Mauro em Belém e do radialista e apresentador de TV, Jefferson Lima, tanto em Belém como em Ananindeua.  Os asfaltos a frio, também conhecidos como asfalto sonrizal, vem sistematicamente se dissolvendo nas barrentas águas chuvosas de inverno.

A avaliação de Zenaldo se encontra baixa e de Pioneiro está em níveis médios. Estes dois gestores terão apenas o segundo semestre de 2015 para ampliar a implantação da gestão baseada no concreto armado em suas cidades, haja vista que o primeiro semestre de 2016 será marcado pelas chuvas e no segundo semestre já teremos as eleições municipais.

Enquanto no Brasil são as políticas sociais que são as âncoras do governo federal, em Belém e em Ananindeua nota-se pouca iniciativa nesta área. Quais os programas municipais para combater o trabalho infantil digno de visibilidade pública? Quais os programas municipais para qualificar os trabalhadores semi-analfabetos ou analfabetos? Quais os programas municipais sérios para preparar o jovem para o primeiro emprego nestas cidades de serviço? Em quais destes municípios a Estratégia Saúde da Família funciona de verdade? Qual o choque de gestão capaz de fazer funcionar os serviços públicos municipais de saúde, educação e transportes públicos?

Parece que fica muito claro que política social jamais será marca de governos  desvinculados de opções sociais claras.  Parece que Zenaldo e Pioneiro encontrarão enormes dificuldades em 2016 tendo em vista o esquecimento de políticas sociais como segurança, saúde, saneamento, meio ambiente e de  qualificação para o emprego.

Até quando principalizar investimento em atividades meios será mais importantes do que investir nas atividades fins, ou seja, nas pessoas strictu senso. Lula fez história neste País invertendo prioridades e focando nas pessoas, parece que os prefeitos de Ananindeua e Belém ainda não perceberam esta questão. Para os políticos tradicionais e reacionários, investir nas pessoas é dar esmolas.

 

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2016: O futuro político de Zenaldo e Pioneiro

em por Edir Veiga 31 de março, 2015 - 10h30

 

Os prefeitos das maiores cidades do Pará Zenaldo Coutinho  ( Belém ) e Manoel Pioneiro (Ananindeua)  estão fundamentalmente ancorado na avaliação que seus munícipes farão do resultado de seu governo.  Não precisa ser adivinho para afirmar que estes dois políticos sonham em disputar o pleito governamental de 2018, como candidato do governador Simão Jatene, ou seja, candidatos da máquina de governo.

As eleições de 2014 revelaram que o eleitor decide com base em uma avaliação consolidada do desempenho do governante em seu quadriênio de mandato. Não adianta marketing eleitoral se este não estiver firmemente ancorado em resultados de governo.  A conquista de uma avaliação positiva pela maioria de um sociedade municipal exige enorme capacidade geopolítica, pois os recursos públicos sempre são escassos, e a questão central é como sensibilizar a maioria dos grupos sociais totalizando 50% mais um  de avaliação positiva.

Além da visão geopolítica baseada em informações perfeitas o governante deve priorizar recursos direcionados a segmentos e grupos sociais que venham a totalizar a perspectiva de atingir a maioria do eleitorado de um  município. Definitivamente, a classe política deve trabalhar permanentemente com especialistas em competição eleitoral.

Mas, voltando aos objetivos imediatos de Zenaldo e Pioneiro, que seria a reeleição em 2016, parece que estes objetivos não estão satisfatoriamente perceptíveis.  Os três S  prometidos por Zenaldo ainda não estão sendo percebidos na cidade. As mesmas dificuldades encontradas em Belém se ampliam em Ananindeua. Todo governo de grande cidade costuma construir macro coligações, mas que não são garantias de vitórias eleitorais.

Caso os dois governantes (Zenaldo e Pioneiro)  consigam ser percebidos favoravelmente pela população, ainda assim o jogo sucessório ainda reserva macro desafios a estes prefeitos incumbentes. Como estará a disposição do governador Simão Jatene em turbinar estes dois mandatos?  Jatene entrará firme e sincero neste jogo sucessório? Caso Jatene entre no jogo, qual destes dois candidatos será  decisivamente turbinado em 2016?

Esta resposta tende para ser negativa frente a possíveis  gastos de Jatene nas eleições de 2016 e 2018. Nossas pesquisas científicas mostram que os governantes  em final de mandato estão mais preocupados em fechar suas contas e verem-nas aprovadas pelos órgãos de controle, do que investir atabalhoadamente num candidato, e virem a comprometer suas histórias, sua honra  ou seus futuros políticos.

Portanto, Zenaldo e Pioneiro tem mega desafios frente a seus futuros políticos em direção ao governo estadual.  O primeiro macro desafio será vencer a eleição de 2016. O segundo desafio  é virar o candidato preferencial do governador para 2018.  E o terceiro desafio é ver o governador Jatene jogando “pesado” orçamentariamente em favor de seu candidato nas eleições de 2018.

Sem falar que os tucanos estão há muito governando o Pará, e nas eleições de 2014 houve uma eleição “rachada” entre situação e oposição. Portanto, 2018, mais do que nunca será uma eleição de alternância, tanto no plano estadual como federal, como ocorreu nas eleições de 2014. Será que os tucanos terão a “virtu”, que é aquela capacidade descrita por Nicollo, de reverter  situação desfavoráveis e manter o comando do governo, como fizeram com brilhantismo em 2014, no plano estadual?

É esperar para ver.

 

 

 

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Ricardo (31 de março, 2015 - 11h21)

Existe uma pedra no meio do caminho desses dois tucanos e o nome dessa pedra se chama Helenilson Cunha Pontes. Esse será o candidato de apoiado pelo Jatene a Governo do Estado. Até as flores do jardim de palácio dos despachos já sabem disso.

JORGE MORAES DE ICOARACY (01 de abril, 2015 - 06h19)

PERFEITO O COMENTÁRIO!

Jairo Cunha (01 de abril, 2015 - 15h33)

Esses dois governantes são uma vergonha para o povo do Pará, o fato inédito que o PSDB tem a façanha de eleger dois prefeito da área metropolitana e o governo do estado do mesmo partido e não fazerem nada. isso vai refletir que esse fato histórico nunca mais aconteça, felizmente...

Oposição e apoiadores dinamitam Dilma.

em por Edir Veiga 23 de março, 2015 - 07h23

A presidente Dilma encontra-se nos piores dos mundos: de um lado temos a oposição que busca estrategicamente fazê-la sangrar ao máximo possível,  combinando a quebra de sua legitimidade eleitoral devido ao choque  liberal moderado na economia com o ataque moral vinculando-a politicamente ao PT e ao escândalo do petróleo. Enfim, a oposição cumpre seu papel de fustigar o governo.

Já os apoiadores da presidente Dilma, capitaneados pelo movimento dos trabalhadores sem terra-MST  vão às ruas, realizam atos públicos, reafirmam o apoio aos resultados das eleições presidenciais de 2014, mas condicionam este apoio se Dilma abandonar os tarifaços e o corte dos gastos sociais.

Num País civilizado nas relações políticas, a oposição  deve funcionar como governo paralelo, onde para cada crítica nas tomadas de decisão do governo, a oposição deveria contra atacar com uma proposta alternativa. Ora, caso Aécio tivesse sido eleito em 2014, qual seria a política do PSDB  frente ao desiquilíbrio de contas ora presente no Brasil? Não seria, também um choque  liberal? Eu diria ultra liberal, que combinaria aumentos de impostos com profundos cortes nos gastos sociais para equilibrar as contas públicas, tanto no plano interno como externo.

O apoio do MST e dos movimentos sociais à presidente Dilma, é um apoio do tipo “cavalo de tróia”, as base do apoio proposto pelo MST, caso aceito, aprofundaria o desequilíbrio fiscal no Brasil, aumentaria aos gastos sociais e a inflação, causaria desemprego e levaria o País ao caos social total.

Já a oposição coordenada pelo PSDB, ao rejeitar e denunciar as medidas econômicas propostos pela presidente Dilma, não é sincera como o povo brasileiro. Na verdade, o governo da presidente Dilma está implementando a receita liberal moderada de combate à inflação com base no receituário ortodoxo de fundo monetarista.  O PSDB está denunciando uma política econômica ora em implementação no Brasil,  que se Aécio fosse  eleito aplicaria, dando maior conteúdo à uma política econômica que combinaria corte nos gastos sociais com arrocho salarial do funcionalismo.

Portanto, a presidente vive no pior do mundo. De um lado tem uma oposição  populista, e porque não dizer insincera com o povo brasileiro, em relação às medidas econômicas adotadas por Dilma, e de outro, uma coalizão social de apoio, cujas condições estabelecidas para este apoio, caso fosse aceita, anularia todas as inciativas para diminuir o desequilíbrio das contas públicas.

Dilma está entre a cruz e a espada. A presidente precisa continuar a manter as medidas impopulares em curso, mas está em pleno processo de desgaste moral por causa do petrolão. Como a avaliação dos governos depende do desempenho econômico, sua avaliação positiva caiu em níveis sofríveis. Assim, Dilma não dispõe de elementos essenciais para conduzir com mão de ferro o combate ao desequilíbrio das contas públicas, que precisaria uma legitimidade de largo alcance.

Por outro lado, o PT e PMDB, os dois principais partidos de sustentação da presidente estão em enorme defensiva política, devido ao escândalo do petróleo que acaba de envolver repetidamente o tesoureiro petista e os nomes dos pemedebistas presidentes do senado e da câmara dos deputados.

A oposição neste momento está com enorme vantagem perante à opinião pública. A oposição está vencendo nas ruas e conta com toda a divulgação na grande mídia do maior escândalo político comprovado da história recente do mundo ocidental.  Creio que levar a disputa para as ruas não seria a melhor estratégia para Dilma e seus aliados. A oposição está dando um banho neste território.

A solução passa pela estratégia institucional. Dilma deve ampliar políticas de governança junto ao congresso nacional, toda a agenda deve ser previamente pactuado com sua base política, procurando ampliar para setores independentes do congresso nacional.  Dilma deve abrir uma conversa franca com os movimentos sociais que lhe dedicam apoio e solicitar pelo menos trégua neste momento de séria crise econômica.

Quanto à oposição tucana, esta não deve se confundir com setores golpistas da direita. Deve conduzir com responsabilidade sua fustigação ao governo, apresentar uma agenda positiva para o Brasil e apostar numa saída negociada para a situação política do País. Afinal, uma  queda do Estado de Direito atingiria a todos os democratas.

Creio que além da crise econômica, da crise do petrolão, Dilma e o PT vivem a desaprovação e a rejeição por estarem no quarto governo consecutivo à frente do governo brasileiro. Normalmente a roda da alternância exige mudança de governo, mesmo que seja para pior.  Creio que se Dilma não manter com mão de ferro o combate ao desequilíbrio das contas públicas.... Dilma vegetará no descrédito até o final de seu governo. Creio que se Dilma manter sua determinação, sua avaliação política começará a melhorar a partir da metade do ano de 2017.

Estamos de olho.

 

 

 

 

 

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Sóstenes Antônio de Arruda (24 de março, 2015 - 06h28)

Excelente e muito sóbria sua análise. Uma pena que em Brasília os políticos estão mais preocupados em escapar da polícia do que cuidar dos interesses da República.

Petrobrás, financiamento de campanha e escândalo

em por Edir Veiga 07 de março, 2015 - 18h24

Existem muitas maneiras de discutir o escândalo do Petrolão, que neste momento ocupa todo o noticiário nacional. As empresas midiáticas fazem seu macro espetáculo em torno deste tipo de acontecimento. Afinal são as espetaculosidades que garantem grandes audiências.

Como  dizia o poeta: de loucos e de cientistas políticos todos temos um pouco, neste momento estamos assistindo três tipos de análises:1- a dos apaixonados da situação, 2-a dos apaixonados da oposição, e 3-aqueles que tentam fazer uma análise desapaixonada.

Dentre governistas e oposicionistas existem um fato comum: todos tentam “puxar a sardinha para sua brasa”. Ou seja, a paixão suplanta a razão. Em síntese, como diria Weber, a ética da responsabilidade é a marca da ação do político: a oposição aparece atacando com um discurso moralista e a situação rebate: somos todos iguais no trato da coisa pública;

Neste momento, a sociedade brasileira está envolta e revoltada com  o saque que foi descoberto na Petrobrás, e talvez em todas as empresas controlada pelo Estado brasileiro. A situação está na “corda do octógono” e a oposição está em plena ofensiva: o 15 de março será um termômetro para projetarmos o alcance do “Fora Dilma”.

O Petrolão e o mensalão são a ponta do iceberg de placas tectônicas que movem os fatores causais que induzem e premiam aqueles que usam o pragmatismo na luta política. que são as instituições, regras e normas que organizam a competição eleitoral e partidária brasileira.

Neste momento as superes e megas empresas da construção civil encabeçam a lista de corruptores que vem agindo sobre o governo e a classe política nacional. No âmago do modus operandis destas empresas está a relação entre financiamento de campanha, manipulação de licitação e alocação de obras aos megas financiadores de campanha.

Este mecanismo incorpora todos os  partidos governantes, tanto na esfera  federal como na esfera estadual e municipal. As investigações da Procuradoria Geral e da Polícia Federal vêm revelando com riqueza de dados  a intricada rede de corrupção que engloba empresas, políticos, burocratas e instituições estatais.

Portanto, aqueles políticos oposicionistas oriundos de partidos que são governantes nas esferas estaduais e municipais ou já ´governaram no plano federal  que aparecem bradando contra a corrupção e impunidade,  só convencem mesmo os seus correligionários.

O governo Dilma encontra-se profundamente isolado  na sociedade brasileira, mais em consequência do ajuste fiscal em curso, do que em consequência do escândalo do Petrolão. Mais uma constatação devemos firmar: a oposição e os direitistas estão surfando nesta onda anti-governo, e a parcela da sociedade que apoia o governo está perplexa e recuada com os tarifaços, aumentos de juros e com o escândalo do Petrolão.

Em outras palavras, não existe partido governista “santo” dentro do sistema político brasileiro. Seria toda a classe política brasileira corrupta? Creio que a é resposta é não: existem aqueles que se recusam a aceitar a regra do jogo, e não estão com as mãos sujas.  Seguramente estes poucos políticos e um ou dois partidos estão fora da competição política nacional e estadual. Afinal, quem não usa as regras em seu favor está condenado a ser derrotado. Portanto, a solução para quebrar a simbiose corrupta entre empresas, governos e políticos, passa por uma reforma política que proíba o financiamento empresarial das campanhas eleitorais.

Do ponto de vista da evolução da conjuntura política, a oposição buscará enfraquecer ao máximo o governo. Aliás, assim agem os oposicionistas em qualquer parte do mundo democrático. O governo vem demonstrando enorme incompetência para agir no contexto desta crise: a perda da mesa diretora da câmara dos deputados reflete a baixa capacidade política do novo entourage da presidente Dilma.

A presença dos presidentes da câmara dos deputados e do senado na lista do Procurador Geral da República tira força do congresso frente ao escândalo do petróleo. Os rumos desta crise estará condicionado à capacidade de mobilização social dos setores oposicionistas e à capacidade do governo em concertar sua ação com sua base aliada no congresso e com os partidos políticos.

Seguramente, quem vem produzindo grande propulsão  anti-governista é a grande mídia, em especial a rede globo. Neste sábado todo o tempo do jornal nacional foi dedicado ao petróleo. A rede globo e seus jornalistas que exigiam ajuste fiscal, hoje bradam contra as medidas fiscais que atingem, fundamentalmente,  a classe média e a classe empresarial.

Eu, pessoalmente me sinto  atingido pelas medidas fiscais, de conteúdo moderadamente liberal. Mais reconheço que a maioria da população vem sendo preservada pelo governo federal. Creio que Dilma vem administrando um remédio amargo...mais não é nenhum “fel”. Fel seria um remédio ultra liberal.

 

 

 

 

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Tristeza com a esquerda brasileira. Decepção ao centro

Uma perspectiva sombria

em por Edir Veiga 01 de fevereiro, 2015 - 15h56

 

Ando depressivo com as perspectivas da luta socialista no Brasil. Dediquei mais de 20 anos de minha vida no projeto de esquerda. O PT chegou ao governo, realizou  ações únicas de inclusão social e distribuição de renda. Mas o PT  vem me envergonhando desde 2005. O Maior patrimônio desta legenda foi jogado no lixo. A luta pela renovação histórica da classe política brasileira foi perdida. Pelo menos pela via da esquerda.   O PT não conseguiu produzir uma classe política ética e republicana nas relações, na sociedade e dentro do Estado democrático de direito. Os episódios do mensalão e da Petrobrás ilustram estes fatos incontestáveis.

Mas apesar de tudo, o PT cunhou  uma marca que ninguém pode lhe tirar. Ninguém  não pode dizer de que o PT não é o partido voltado aos mais pobres. Os avanços na inclusão educacional dos mais humildes são incontestáveis. A distribuição de renda e o combate  à fome  são fatos. Mas hoje o PT é um partido da ordem. Um partido que não conseguiu se transformar em uma ferramenta de produção de uma revolução ética, cultural e moral na sociedade brasileira. Enfim, o PT se transformou  num partido social conservador, pois não combateu o capitalismo em seu conteúdo mais central: a dominação psicológica, valorativa e cultural. O PT é um partido patrimonialista em todas as suas versões.

Esta é a enorme decepção pela esquerda. Mas os social democratas e liberais em todas as suas matizes também mantiveram-se no patamar do patrimonialismo nas relações com o Estado nacional e suas esferas subnacionais e locais. O Pará é o maior exemplo de que nosso estado não teve nos últimos 85 anos, governantes capazes de construir e reproduzir uma fração de classe política ética e republicana e, muito menos competente administrativamente na gestão política de nossos recursos financeiros em direção a obras estruturantes em todas as esferas da vida.

Noventa por cento da sociedade não dispõe das condições básicas de vida: saneamento, segurança, assistência digna à saúde; Mobilidade urbana na região metropolitana; Tratamento de resíduos sólidos; Plano diretor do desenvolvimento econômico; Portos e aeroportos;Pavimentação asfáltica de alta qualidade e, Gestão eficaz e eficiente dos serviços públicos.

Parece que uma sociedade onde a metade vive em padrões africanos de vida, não vem conseguindo produzir uma classe política republicana e competente na gestão do Estado em todas as suas dimensões. Parece que mais uma vez é o Estado que vira o centro mobilizador da renovação da sociedade e da política. Parece que o Ministério Público, A Polícia Federal e as universidades, deverão assumir a liderança de mecanismos que venham a republicanizar e qualificar uma classe média. Parece que sem desenvolvimento econômico municipal não produziremos uma sociedade civil autônoma, capaz de vir a controlar a classe política.

Diria que hoje estamos sentido os sintomas de tsunamis sociais que se gestam. O junho de 2013 vive a assombrar os governantes. Mas parece que da sociedade não surgirá nenhuma alternativa civil e democrática para enfrentar os problemas. A esquerda está moralmente destroçada no Brasil e precisará de pelo menos duas décadas de muita prática republicana para superar os anos de mensalões e petrolões. A direita está às espreitas. Liberais e esquerda democrática deverão dosar seus confrontos para impedir uma saída facista para o Brasil.

Um abraço a todos.

Viva 2015.

 

 

 

 

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2015: governos e políticos sob mares entrópicos

Dos tarifaços ao mega escândalo da Petrobrás

em por Edir Veiga 29 de janeiro, 2015 - 13h44

 A partir de fevereiro retomarei  meus comentários  analíticos semanais sobre a vida política brasileira e paraense.  Este início de ano começa embalado pela política nacional onde o desequilíbrio nas contas públicas, os tarifaços do governo Dilma e o mega escândalo da Petrobrás comandam o noticiário político nacional.

No plano estadual tudo continua em seu caminho cotidiano a partir   do início do terceiro governo de Simão Jatene e da segunda gestão de Márcio Miranda  na assembleia legislativa. A novidade é a reforma administrativa comandada pelo governador com a extinção de órgãos, fusão de outros e a busca pela ampliação do poder infra estrutural do governo estadual para o oeste,  sul e sudeste do Pará, a partir da criação dos centros regionais de governo.

Seguramente, a notícia nova na política do estadual vem da oposição, onde o PMDB paraense emplacou o nome do ex candidato ao governo Helder  Barbalho no ministério Dilma.  Helder operando a partir do planalto promete se cacifar política e administrativamente para os futuros embates políticos no Pará.

O PT, o grande derrotado nas disputas para as assembléias legislativas estadual e nacional  ainda respira com a eleição para o senado de Paulo Rocha. Já o PSDB saiu minúsculo  no Pará na disputas para a  representação na câmara dos deputados. O PSD, que de fato representa o investimento de Jatene no Pará sai fortalecido com sua bancada estadual e federal.

Agora o poder político municipal começa a entrar na agenda eleitoral que se aproxima em 2016. Zenaldo e Pioneiro na região metropolitana e Von  em Santarém devem mostrar os resultados da capacidade administrativa do tucanato nas grandes cidades num contexto de escassez de recursos, carência histórica de infraestrutura social e física destas cidades e com a violência endêmica mantendo-se estável em sua incidência estadual.

Neste momento é a política nacional que chama atenção de toda a sociedade. Dilma, rejeita arrochos ortodoxos no corte de despesas públicas e aposta nos tarifaços com cortes moderados nos gastos sociais para diminuir o desequilíbrio orçamentário. Tudo muito normal, afinal todos sabiam que o ano de 2015 seria difícil para o Brasil, principalmente após um ano eleitoral de muitos gastos.

O escândalo da Petrobrás promete deixar as instituições públicas mais transparentes, mais organizadas e armadas para fechar os ralos da corrupção. O governo petista, a partir deste escândalo  perde em definitivo seu discurso histórico em torno da ética na política e, parece que se agarrará na marca do Partido do Social. Este macro escândalo parece abrir as portas para o fim do financiamento empresarial nas campanhas eleitorais.  Espero  que o Ministério Público, a Polícia Federal e o Poder Judiciário iniciem a operação “Mãos Limpas” no Brasil e se estenda a todas as esferas de Estado.

No plano internacional Os Estados Unidos começam, após 6 anos de estagnação, a retomada do crescimento de seu Produto Interno Bruto. A Organização dos países Exportadores de Petróleo-OPEP organiza um gigantesco dumping para quebrar países como Brasil, EUA e Venezuela  na competição global do ouro preto. E as organizações terroristas orientais começam uma onda de ataques na Europa.

É com este tempero que retomo as postagens do Bilhetim para o ano de 2015.

Tenho dito.

 

 

 

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DETRAN: saiu da UTI mas pode voltar a adoecer

Novo governo e o velho patrimonialismo

em por Edir Veiga 14 de janeiro, 2015 - 14h11

 

Hoje estive no Departamento Estadual de Trânsito- DETRAN. Nesta ocasião recebi a queixa de funcionários de carreira que manifestaram enorme preocupação de que o DETRAN volte a cair nas mãos de políticos profissionais. Só para recordar, o DETRAN passou nos últimos anos por enormes conturbações. Foram greves e denúncias sistemáticas de corrupção envolvendo a alta cúpula do órgão.

No ano passado, o governador do estado encontrou uma solução que veio acalmar os ânimos neste órgão público, a nomeação de uma funcionária de carreira veio atender dois objetivos centrais naquele momento:  apaziguar os ânimos com a categoria que via-se secundarizada por “paraquedistas” que ocupavam cargos técnicos, mas que não tinham formação técnica necessária e de outro esmaecer as denúncias de corrupção.

Passados o período de turbulência parece que o DETRAN  reencontrou seu caminho, a  ocupação de toda a direção do DETRAN pelos funcionários de carreira parece que foi o santo remédio para os  amenizar efeitos entrópicos que vinham sendo causados pelo politicismo exagerado dos cargos públicos  desta instituição com resultados desastrosos para o serviço público e para as finanças do órgão.

O DETRAN deixou de ser deficitário e passou a ser superavitário. A paz interna foi alcançado e este órgão deixou as páginas policiais. Passados pouco mais de um mês  da reentronização do governador Jatene, os boatos indicam que a cúpula tucana quer repassar o DETRAN para pessoas que desconhecem o funcionamento da máquina técnica e administrativa que é o DETRAN.

Fala-se a boca pequena que  um policial civil graduado está sendo “costurado” para assumir o órgão. Os funcionários encontram-se apreensivos. Os tucanos já teriam batido o martelo, e parece que mais uma vez o caos começa a retomar seu caminho à frente do DETRAN. Este órgão é essencialmente técnico e assim deveria ser tratado pelo governo.

Parece que a crença dos tucanos menos graduado começa a se apagar. Todos acreditavam que este quarto governo Jatene seria a expressão de uma gestão voltada para resultadas. Os políticos teriam seu espaço, faturariam em cima das obras do governo, mas os cargos seriam ocupados por gente especializada  nas áreas essencialmente técnica. Seria mais um estelionato eleitoral?

É ver para crer.

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TV IVeiga: Intervenção tática e as eleições de 2016

em por Edir Veiga 10 de dezembro, 2014 - 00h00

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Este Blog é um espaço de informação sintética sobre fatos políticos Nacional e estadual e sobre a vida da comunidade da UFPA. Quem quiser acompanhar ensaios, artigos, debates políticos e acadêmicos deve acessar aqui.


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